domingo, 14 de agosto de 2011

Uma singela homenagem aos pais

 



Hoje fui prestigiar meu marido em sua participação no Circuito Athenas como corredor e tive a alegria de me assentar próximo a uma família super simpática que tem o Lucas, de mais ou menos 5 anos, como o caçula. Papo vai, papo vem, ele me contou que já havia parabenizado o pai (que também estava correndo) pelo seu dia dando-lhe um cartão e que tinha escrito nele que o pai é um herói, o seu super-herói. Na hora eu me lembrei de uma historinha que escrevi há um tempo e resolvi postar aqui como formar de homenagear os pais. 


MEU ÍDOLO É VOCÊ!
- Papai...
- Hum...
- Estou com medo...
- Hum? Medo de quê, meu filho?
- Tive um sonho muito feio.
- Teve um sonho ruim e agora está com medo?
- É... posso dormir aqui com vocês?
- Pode ficar aqui só até o medo passar. Depois você vai para o seu quarto. Combinado?
- Sim, papai.
- E vamos conversar baixinho para não incomodar a mamãe, ok?
Marcos balançou a cabeça concordando e aconchegou-se entre seus pais. O rostinho tinha uma expressão assustada, normal para os seis aninhos ainda incompletos, e ficou olhando para o teto depois que se deitou, pensando no quanto é ruim ter pesadelos.
- O que está acontecendo aqui, Jorge? – Perguntou a mãe com voz baixa e olhos semiabertos.
- Nada, meu bem. O Marcos sonhou com coisas ruins e está esperando o medo passar. Ele vai ficar aqui um pouquinho recuperando o folêgo.
- Ah, sim... – A mãe fez carinho na cabeça do filho, segurou uma de suas mãos e se virou para dormir novamente.
Enquanto isso, o pai preparava-se para contar uma boa história para Marcos. Quando começaria a história, o filho surpreendeu-o com uma pergunta.
- Papai, o que é ídolo?
- Ídolo?
- Hum, hum...
- Por que está perguntando sobre isso?
- Porque ouvi essa palavra num desenho da televisão. O senhor sabe o que é?
- Bom... ídolo é uma pessoa a quem admiramos muito.
- Admiramos?
- É. Alguém que achamos legal, que faz coisas bacanas ou que queremos ser algum dia.
- E o senhor quis ser como alguém, papai?
O pai sorriu para o filho.
- Acho que não. Na verdade quis ser eu mesmo, sabe? Mas eu tive grandes ídolos na minha vida.
- Nossa! Que legal!
- É sim.
- De quem o senhor gostava?
- Hum... Papai era fã do Ayrton Senna. Lembra da história que lhe contei sobre o piloto de carros velozes?
- Lembro... Achei irado o filme que me mostrou dele correndo!
- Pois é. Ele era uma pessoa legal e corria como ninguém.
Marcos então calou-se e ficou olhando o pai contando as histórias sobre um dos grandes pilotos de todos os tempos. Enquanto escutava, ficou imaginando quem seria o seu grande e verdadeiro ídolo. Pensou em todas as possibilidades, desde seu carrinho vermelho com que tanto gostava de brincar, até nos super-heróis de suas aventuras favoritas. No entanto, nenhum deles era tão legal ou fazia coisas tão bacanas quanto um amigo em especial que ele tinha.
- Papai...
- Oi.
- Eu também tenho um ídolo.
- Uau! Pequenino assim e já tem um ídolo?
- Hum, hum...
O pai novamente sorriu para o filho e perguntou-lhe:
- E você pode me contar quem é o seu ídolo ou ainda é segredo?
- Não é segredo não.
- Então me conta quem é. Estou curioso.
Marcos deu uma risadinha tampando a boca para não fazer muito barulho. Estava se divertindo com a curiosidade do pai sobre quem seria seu ídolo. Mal poderia ele imaginar quem era.
- Vou lhe contar, papai. Só que antes tem que me prometer que amanhã vai trazer picolé para mim.
- Seu espertinho! – Retrucou o pai fazendo caretas para o menino.
- Vamos, papai! Prometa! Se não, não conto.
- Prometo, prometo.
O silêncio então tomou conta do quarto diante da expectativa de se contar e de se saber sobre o grande ídolo de Marcos. O pai virou o rosto para ver o que o filho estava fazendo e deparou-se com dois olhinhos vivazes olhando para ele. Foi quando Marcos disse:
- Meu ídolo é você, papai.
E falou tão baixinho que o pai achou que não havia entendido o que o filho disse.
- Como?
- Meu único e grande ídolo é você, papai! De verdade!
Jorge, neste momento, não conseguiu segurar a emoção. Lágrimas brotaram-lhe nos olhos e um aperto de alegria tomava conta de seu coração. Abraçou o filho e disse com a voz embargada:
- Eu te amo, meu filho.
- Eu também te amo, papai...
Assim, os dois ficaram ali contando histórias e rindo juntos. A essa altura, o menino não sentia mais medo nem se lembrava do sonho ruim. O pai já não queria que Marcos voltasse para o quarto. E a mamãe, acreditem, não dormiu nada. Ficou caladinha, ouvindo tudo cheia de alegria, só pegando no sono quando os dois grandes amores da vida dela, por fim, adormeceram.   








Feliz Dia dos Pais a todos que tenham a honra de sê-lo.

Ao meu pai, que já não se encontra entre nós, 
minha eterna saudade!



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